Aos 49 anos, Alzira Brehmer de Oliveira vive uma longa espera. Desde 2016, não pode trabalhar porque, como ela mesma conta “enfrenta a discriminação e o preconceito por parte das pessoas porque está sempre com a roupa molhada e com cheiro ruim por causa do suor excessivo”. Desesperada, buscou a Defensoria Pública de Santa Catarina para conseguir judicialmente o direito de voltar a ter uma vida normal.

Alzira precisa fazer uma cirurgia chamada Simpactectomia Lombar a Céu  Aberto, relata o Defensor Público Tiago Queiroz da Costa. “ É uma cirurgia para tratar do problema de hiperidrose compensatória, que consiste em suar em excesso por alguma parte do corpo”.

Ele comenta que a assistida já fez uma cirurgia anterior para o mesmo problema no tórax, e agora o corpo está compensando e ela está suando em excesso pelas costas e pelos membros inferiores.

Judicialmente, foi feito um pedido para que o Estado fosse obrigado a realizar a cirurgia. O Judiciário, entendendo não haver urgência, eis que não haveria risco de morte, não concordou com o pedido liminar feito pela Defensoria Pública. A decisão é de abril de 2018.

Assim, desde de 5 de março de 2018, ela espera ser chamada pelo SUS. A então faxineira, que parou de trabalhar pelo constrangimento decorrente da sua condição de saúde, é a primeira na fila de espera desde novembro de 2018. Na ocasião, recebeu uma ligação em que lhe informaram ser ela a próxima a ser chamada para realizar a cirurgia que tanto aguarda. Já se passaram 5 meses e até agora o caso está sem solução.

Desesperada com a espera, a assistida solicitou a intervenção da Defensoria Pública. Foram enviados ofícios solicitando informação a respeito do caso às Secretarias de Saúde do Estado e do Município de Florianópolis. Em seguida, foi agendada uma consulta médica para o dia 22 de março de 2019. Na ocasião, segundo relatou Alzira, o médico lhe informou que a cirurgia não seria realizada por não existirem médicos disponíveis e capazes de realizar o procedimento cirúrgico.

A situação retratada evidencia as dificuldades que o paciente do SUS enfrenta para obter acesso ao atendimento médico com especialista. A situação tende a ser mais difícil ainda quando se busca a realização de cirurgias e ou exames de média complexidade, como uma colonoscopia, por exemplo.

No caso de Alzira, mesmo que o Judiciário tenha entendido que o caso não é urgente, pela ausência de risco de morte, ela está na primeira posição há 5 meses. O relevante, na situação de Alzira, não é a intervenção do Poder Judiciário nas políticas públicas de saúde, do que tanto os gestores públicos reclamam. Aliás, o Poder Judiciário não interveio. A questão é que Alzira há 5 meses espera como primeira na fila de espera e não tem a menor ideia de quando será atendida.

A situação reflete bem a forma como o planejamento na execução das políticas públicas na área da saúde vem sendo feito.

Enquanto a solução não vem, Alzira vem se tratamento contra depressão.

   

Valquiria Guimarães

Assessoria de Comunicação

Defensoria Pública de Santa Catarina 

 

 

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